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Música Gospel Nacional

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1 Música Gospel Nacional em Qua Fev 18, 2009 3:49 pm

Mineirinho


Já sou frequente
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A música evangélica hoje em dia está encontrando do seu lugar ao sol. Mas, não foi sempre assim. Música evangélica já foi sinônimo de música ruim e inaudível. Para entender a revolução pela qual a chamada música gospel passou, farei um resumido realese desse segmento musical. Longe de ser uma postulação, apenas faço um pequeno histórico do que aconteceu nas últimas duas décadas e na atual que já está quase concluída.

Anos 80 período em que a crítica musical execrou o chamado “espírito yuppie padrão”. Nesse cenário musicalmente enevoado, bandas como Dire Straits, Supertramp, U2, The Police, Bon Jovi, Aerosmith, Men At Work, R.E.M., Jesus & Mary Chain, Pet Shop Boys, The Smiths, Duran Duran e Van Halley… na companhia de artistas como Madonna, Michael Jackson, Kylie Minogue, Janet Jackson, Boy George, Lionel Richie, David Bowie, Whitney Houston, Paula Abdul, Prince, Billy Idol, Bruce Springsteen dentre outros despontaram para o sucesso e ditaram a moda. Já no Brasil, era a hora e a vez dos chamados “filhos de Brasília”, grupos de então jovens universitários do DF, que se reuniram na formação de bandas como Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Os Replicantes e, nos rastro dessas vieram, R.P.M., Ultraje a Rigor, Barão Vermelho, Engenheiros do Hawaii, Titãs, Ira!, Kid Abelha só pra citar as mais famosas. Essas bandas também lançaram nomes que até hoje marcam muitos que sequer as conheceram, como é o caso de Renato Russo (Legião) e Cazuza (Barão).

Em meio a essa verdadeira colcha de retalhos o cenário da música evangélica começava a dar seus primeiros e tímidos passos na São Paulo dos anos 80. Foi aí que surgiram grupos como Elo – que depois virou Logos -, Adhemar de Campos (e a Comunidade da Graça), Daniel Souza (e o Frutos do Espírito), Asaph Borba, Vencedores por Cristo e o polêmico (por questões doutrinárias) Voz da Verdade. Esses eram essencialmente grupos de louvor, que não atingiam o público extra-eclesiástico. Há ainda os cantores(as) solos: Mattos Nascimento, Shirley Carvalhaes, Álvaro Tito, J. Neto, Luiz de Carvalho, Armando Filho, Cristina Mel e Denise Cerqueira, dentre outros. Rock? Nem pensar! Janires e seu Rebanhão deram o pontapé inicial e o termo gospel foi trazido para o meio evangélico pelo apóstolo Estevam e sua esposa Sônia Hernandes (é impossível excluí-los da história da música evangélica) com a pioneira gravadora Gospel Records, facilitou as coisas para a inserção do rock no meio evangélico. Assim, bandas de rock gospel começaram a dominar a cena e com um foco mais evangelístico alcançavam com mais facilidade jovens de fora da igreja. Neste momento as bandas Resgate, Oficina G3, Katsbarnea, Troad, Actos 2, Fruto Sagrado e mais algumas despontavam, tomando mais força na década seguinte.

Num cenário um pouco distinto, da Igreja Pedra Viva, saía a Banda Rara, com um som mais soul. Com o black paulista ela liderou um movimento que floresceu anos depois. Houve um período de estagnação e alguns grupos cariocas faziam grande sucesso. Até que a cantora Aline Barros, então com 16 anos, apareceu no programa "Xou da Xuxa". Considero – por mais insignificante que possa parecer - esse um evento importante no cenário evangélico. Afinal, não havia um “ícone” do Gospel no Brasil (E não havia mesmo!). Não havia vendagens exorbitantes. Nesta nova fase, começaram as gravadoras (MK [então] Publicitá, Bompastor, Line Records e a pioneira Gospel Records) começaram a crescer e se estabilizar com um diversificado cast. E também aí que as bandas de rock perdem muito de seus espaços e os grandes grupos de louvor voltaram à tona, totalmente repaginados e rematerizados, com status de pop stars. Gravações ao vivo, milhões de CDs vendidos e muito dinheiro envolvido começaram a acontecer. Já estamos no meio da década de 90 e nomes como Diante do Trono, Renascer Praise, Santa Geração, Comunidade da Zona Sul e Koynonia começaram a ganhar cada vez mais espaço. No rastro (ou, como preferem dizer, “na nuvem dessa unção”) surgem Casa de Davi, Filhos do Homem, Toque no Altar dentre tantos outros que dispensam citações (se fosse para citar todos, esse texto se assemelharia a uma lista telefônica). Tudo isso se fundiu num estilo chamado “Louvor e Adoração” e o lance tornou-se mais profissional. Os músicos tornam-se contratados e sempre os melhores. Todos então queriam virar “adoradores” (uns mais outros nem tanto, “extravagantes”). Ron Kenolly, Alvim Slater eram traduzidos descaradamente pela Comunidade da Graça e as versões cantadas nas vozes de Adhemar de Campos e Ronaldo Bezerra (Ah, e também da Igreja Bíblica da Paz, claro). Um ponto importante neste período foi a chegada dos CDs do Marcos Witt (quem não se lembra da famosa “Tu Mirada”, trilha sonora oficial dos Encontros do movimento G12?). Como eram em espanhol, a tradução era mais fácil e tome versões. Esse movimento (o Louvor e Adoração) meio que pasteurizou a música evangélica e criou reverência por alguns artistas que chegam a cobrar cachês dignos de escandalizar até estrelas da música secular. Os irmãos Valadão, Ana Paula e André, Soraya Moraes, Aline Barros, Kleber Lucas, Fernanda Brum, Ludmila Ferber, Cassiane, David Quinlan, Fernandinho dentre outros, constituíram verdadeiro impérios, tudo, claro, para a glória de DEUS.

O rock perdeu sua força, mas ainda existem bandas de pop rock que conseguem tocar nas rádios. A banda Catedral é um capítulo a parte na história da música gospel. A banda dos formadas pelos irmãos Kin, Júlio e César e pelo primo Guilherme, fez muito sucesso (principalmente por sua semelhança com o som da Legião), mas teve sua carreira no meio evangélico manchada por misturar música gospel com “música do mundo”, usando a terminologia “igrejeira”. Os crentes não gostaram nada dessa mistura – o que para mim é pura hipocrisia - e impuseram o Catedral a uma verdadeira inquisição, com direito a quebra e queima de discos, cassetes, CDs e banindo-os das rádios especializadas em músicas gospels. Mas, vamos deixar isso pra lá, pois este assunto está enferrujado e bolorento, de tão discutido que já foi.

Mas, voltando ao rock, ele segue tentando recuperar seu espaço e muitas bandas internacionais fazem discípulos. O chamado White Metal (com toda sua vertente e ramificações), com um som – e visual – mais pesado continua muito – mas muito mesmo! – criticado pela grande maioria dos crentes, contudo, vêm comendo pelas beiradas e bandas como P.O.D. e a “dinossáurica” Stryper, por exemplo, nadam de braçada nesse filão.

Em outras praias, ramificando da era Banda Rara, Maurílio Santos, Robson Nascimento e o Just Sing Choir vivificam a black music. Há ainda o rap do APC16 e do DJ Alpiste, dentre outros. À partir daí, começou-se a ouvir gente que estava calada em suas igrejas. O black começou a ganhar força com o quarteto FLG (o que projetou um de seus integrantes, o Silvera) e o estilo tornou-se popular, com uma ajudinha vinda de fora, do grupo Acapella. Assim, Templo Soul, Soul Dream, Raiz Coral e muitas outras que fazem melisma e vocalizes exagerados lançaram CDs embalados no sucesso internacional (quiçá mundial) de Kirk Franklin e Fred Hammond.

Enfim, chegamos aos dias atuais aonde a referência internacional vem da terra dos cangurus, a Austrália. É o Hillsong de Darlene Zschech. O pop rock tem espaço com bandas que misturam o estilo com adoração. David Quinlan, Fernandinho e André Valadão participam desse filão, puxados por bandas como a Delirius?, por exemplo. Aliás, o estilo adoração é a música das massas evangélicas, levam milhões para os estádios e está disputadíssimo, eu já nem sei quem canta o que, pois são todos muitos parecidos, praticamente – essencialmente - iguais. Certo ar de superioridade pode ser observado pelos protagonistas deste segmento.

O black está na panela também. Virou um purê. Tem muita coisa boa, mas muito exagero, principalmente no visual e nos vocais e, claro, muita cópia. Descaradamente copiam-se levadas e batidas. Perdeu-se um pouco a musicalidade para a técnica. E o que dizer do rap, do funk, do pagode, do forro, do sertanejo e da música romântica – neste último, Novo Som na cabeça! -, isto sem citar as personalidades da música que se “converteram”.

Assim, a música evangélica vai cantando sua história (elevando seus consumidores “aos altos lugares espirituais” e seus divulgadores “aos altos lugares da fama”) e fazendo barulho a despeito do inquestionável preconceito e discriminação que tem de enfrentar.



Última edição por Mineirinho em Qui Fev 19, 2009 8:52 am, editado 1 vez(es)

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2 Re: Música Gospel Nacional em Qua Fev 18, 2009 9:03 pm

Valfrid


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Cara... que texto enorme!!!

hehehehehe


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3 Re: Música Gospel Nacional em Qui Fev 19, 2009 8:49 am

Mineirinho


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Valfrid escreveu:Cara... que texto enorme!!!

hehehehehe

Hahahahaha! É, véio! As idéias vieram e mandei ver. Não deu tempo nem de revisar. Gosto de digitar e de criar textos (acho que já deu pra perceber, né?). Mas, e aí? Ocê conseguiu ler todo o texto ou ficou com preguiça?... Se conseguiu, dê sua opinião, pois como músico, ela para mim muito importante. Wink

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4 Re: Música Gospel Nacional em Qui Fev 19, 2009 1:43 pm

Valfrid


Admin
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Eu li tudo sim... mas não me veio nenhum comentário a cabeça!!

Esse texto está mais para um artigo jornalistico sobre a história da música Gospel brasileira!


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5 Re: Música Gospel Nacional em Dom Jun 26, 2011 10:06 am

RA


Chegando agora
Chegando agora
Olá amigo,

Tenho que dizer que não concordo com algumas coisas que você escreveu. Do jeito que você escreveu, parece que a música "evangélica" brasileira começou nos anos 80, o que não é verdade. Apenas como exemplo, o disco "De Vento em Popa" dos Vencedores por Cristo é da década de 70. E antes dos Vencedores, já existiam nomes de compositores brasileiros que já produziam música. Os primeiros discos do Asaph Borba e do Adhemar de Campos também são do final da década de 70.

Outro ponto, é que a música cristã não se limitou ao "Gospel", e mais recentemente, ao estilo adoração. Tem o texto do Sérgio Pereira (Baixo e Voz) no site do Cristianismo Criativo que aborda um pouco disso (http://www.cristianismocriativo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=679&Itemid=70)

Também faltou nomes essenciais na história da música cristã brasileira, como Sérgio Pimenta e suas composições, João Alexandre (que por sinal, é um dos músicos cristãos mais respeitado no meio não-cristão), Jorge Camargo, entre outros.

De qualquer forma, parabéns pela iniciativa de escrever esse texto. Hoje existe uma certa confusão com a história da música cristã brasileira, e pouco material sobre o assunto!

Abraços

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6 Re: Música Gospel Nacional Hoje à(s) 1:38 pm

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